Projeto com IA busca aprimorar diagnóstico de doenças causadas por amianto e sílica
Florianópolis - Um sistema de inteligência artificial (IA) voltado ao diagnóstico de doenças pulmonares causadas por amianto e sílica, essa foi a pauta do encontro realizado no auditório da sede do Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC), em Florianópolis, nos dias 22 e 23/04, com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). A equipe integra o projeto intitulado Sistema de Imagens Médicas de Doenças Pulmonares causadas por amianto e sílica relacionadas ao trabalho e ambiente.
Financiado pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP), com repasse viabilizado pela procuradora Tatiana Campelo e apoio do Grupo de Trabalho (GT) Amianto, o projeto busca auxiliar na leitura de exames radiológicos e tomografias conforme padrões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), contribuindo para identificar Doenças Relacionadas ao Amianto (DRA) e à sílica, com mais rapidez e precisão.

Coordenado pelo professor Alex Sandro Roschildt Pinto, do Departamento de Informática e Estatística da UFSC e integrante do Laboratório de Telemedicina da UFSC (LAB Telemed), ele diz que “o sistema surge para enfrentar a subnotificação dessas doenças".
De acordo com o pesquisador, a tecnologia não substituirá os médicos, mas funcionará como ferramenta de apoio, sinalizando casos que necessitam de avaliação mais aprofundada.
Atualmente, o projeto está na fase de coleta e organização de dados e, segundo Douglas Macedo, coordenador do LAB Telemed da UFSC, o workshop, em Florianópolis, marca o início da definição dos requisitos técnicos e da integração de dados hoje dispersos, visando à criação de uma plataforma centralizada de apoio aos profissionais de saúde.

Parcerias de entidades e profissionais do Projeto
O professor Eduardo de Capitani, do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Unicamp, explica que o projeto de inteligência artificial voltado ao diagnóstico de doenças relacionadas ao amianto e à sílicaé resultado de uma parceria construída ao longo de anos com a UFSC.
Segundo ele, a aproximação teve início a partir do desenvolvimento do Datatox, e depois com o “Data Amianto”, um banco de dados nacional voltado ao acompanhamento de trabalhadores expostos ao mineral, criado durante a pandemia de Covid-19. “O grande volume de exames e a dificuldade de interpretação por médicos motivaram o uso da IA para apoiar a análise de exames e identificar doenças como asbestose e mesotelioma, ainda pouco reconhecidas na rede pública de saúde”, justificou.
O médico Carlos Nunes Tietboehl Filho, membro da Comissão de Doenças Ocupacionais e Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), que integra a equipe do projeto, diz que a proposta, além de ampliar a precisão e agilizar a identificação dos casos, terá impacto social e econômico. “Pacientes acometidos frequentemente ficam incapacitados para o trabalho, demandando suporte previdenciário e judicial, além de acompanhamento contínuo no sistema de saúde”. A detecção precoce, segundo ele, é essencial para conter a progressão das doenças. “Normas do Ministério do Trabalho já preveem a realização periódica de exames em trabalhadores expostos, o que pode permitir o afastamento antes que o quadro se agrave”.
Também presente ao encontro, o pesquisador Hermano Albuquerque de Castro, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reforçou nos debates que muitos pacientes desenvolvem doenças décadas após a exposição ao amianto, dificultando a identificação da causa. “A tecnologia vai indicar probabilidades de doenças associadas à exposição ambiental ou ocupacional, acelerando os diagnósticos pelo SUS, mas sem descartar a análise do contexto, da história do paciente e da avaliação médica”, ponderou.
Hermano registrou a importância do financiamento do projeto pelo MPT. “É uma forma de devolver à sociedade investimentos voltados à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas ao trabalho e ao meio ambiente”.

O workshop contou ainda com a participação online de integrantes da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), parceira na execução do projeto A iniciativa que pretende ampliar o diagnóstico no sistema público quer também dar visibilidade às vítimas, trabalhadores expostos ao amianto e à sílica, e fortalecer políticas de prevenção e reparação no país.
Fonte: Assessoria de Comunicação MPT-SC
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Publicada em 24/04/2026